Preconceito, aqui não!

O Paiaiá Futebol Clube chegou a 150 jogos e as vezes cometemos erros que parece que estamos fazendo a primeira partida ou, até mesmo, somos eternos juvenis.

Um dos erros mais comum e que gera transtorno é em relação ao horário.  Sou da opinião que atrasamos porque “queremos”. Precisamos seguir a regra.

Esse atraso afeta o time dentro de campo. Como hoje.

Ainda no vestiário, atrasados, um dos nossos jogadores, Jivaldo (Guduga), recebe uma ligação da Bahia. Era a notícia que um tio seu, e primo meu, havia falecido.

Sim, primo meu. Sobrinho do meu pai. Mas há mais de 21 anos, eu e ele, não nos falávamos. Tivemos problemas particulares quando eu ainda morava na Bahia. Tais problemas por total culpa/inorância minha. Por ter sido ameaçado de morte, nunca tomei a iniciativa de ir pedir desculpas. Também evitava ficar no mesmo ligar que ele estava. Seguimos nossas vidas.

Meus sentimentos a todos os familiares.

Quando o juiz apitou o início do jogo, não havia um time (Paiaiá FC) posicionado em campo. Havia jogadores de camisa vermelha tentando correr atrás da bola. Mais parecia um time de aprendizes. Onde todos ocupam o mesmo lugar do campo.

Resultado disso: Locomotiva 1 x 0 Paiaiá. Um dos gols mais bestas que tomamos nesses 150 jogos.

Claro que não foi o único erro do jogo. Sim, perdemos várias chances de gols e não chutamos uma bola sequer no primeiro tempo.

Se fosse um “jogo de sete erros”, mas cometemos muito mais do que isso.

Ah, as cobranças de falta são de deixar qualquer um de costas para o campo. Por que jogador amador só tenta bater falta por cima da barreira, mesmo quando o goleiro está posicionado errado?

Li recentemente que em um ambiente de trabalho com muitas mulheres, quando duas ou três estão menstruadas (a menstruação é a descamação das paredes internas do útero quando não há fecundação. Essa descamação faz parte do ciclo reprodutivo da mulher e acontece todo mês), causando um irritação generalizada.

O time do Paiaiá tem algo muito parecido: a perda da racionalidade. Ao perder a racionalidade abandonamos a capacidade lógica e todos sabemos o resultado.

Ah, continuamos a perder gols; Continuamos errando passe de 3 metros; tomamos mais um gol… Afinal, quem não faz, toma (Frase nova).

Mais chance de bola parada. Mais um tentativa inútil de colocar por cima da barreira. Novamente o goleiro posicionado errado. Claro que ninguém olhou isso.

Será que por eu ser goleiro acabo observando mais, esse detalhe?

Acho que está na hora de eu começar a bater faltas.

Quando o juiz apitou o fim do jogo estávamos certos que hoje, por mais que tentássemos não faríamos um gol. Por falta de acerto nosso.

A resistência do preconceito resiste graças aos babacas

Normalmente, nos campo de futebol, conto um pouco da história do time e nossa origem. Sempre exaltando o orgulho existente.

No jogo de hoje, Paiaiá 0 x 2 Locomotiva, no calor do jogo, um dos nossos jogadores xingou o jogador a adversário. Um xingamento normal ( TNC) que acontece sempre.

Porém, para revidar o jogador do Locomotiva do alto de seu preconceito, era perceptível a intenção de ofender, soltou algo que foi e é usado para descriminar os nordestinos.

Para explicar tal preconceito irei voltar um pouco no tempo.

A fonte é o livro do historiador Marco Antônio Vila , “Quando eu vim-me embora – História da migração  nordestina para São Paulo”.

No livro o autor trata da luta e do preconceito que os nordestinos sofreram na maior capital do Brasil.

Trechos do livro: ” Os baianos tiveram que confrontar com o preconceito – e vencê-lo. Também enfrentaram um discurso higienista que identificava no migrante o portador de doenças, o infectado”.

” Os “baianos”, de acordo com esta visão de mundo, serviam como força de trabalho, na falta de melhor contingente. “Baianada”, “pau de arara”, “cabeça-chata”, baianice” foram expressões discriminatórias consagradas naquele momento. Muitos dos migrantes fizeram de tudo para apagar o passado para serem assimilados como iguais”, conclui Marco Antônio Villa.

Um xingamento ofensivo e de cunho preconceituoso é diferente de um “vá tomar no c…”

O jogador que desferiu tal ofensa sabia que o time é formado por jogadores baianos e isso eu não aceito.

Minha reação foi, e se sempre será, nesses situações de extrema intolerância. Não ficarei calado diante de qualquer tipo de preconceito. Não aceito e não me venha com pedidos de desculpas. Não aceito e não é um simples pedido de desculpas que muda esse tipo de situação.

Para mim, quando há um xingamento preconceituoso é porque há um pensamento (babaca) recheado de preconceitos dentro dessas pessoas.

Respeito quem se cala diante de tal absurdo. Eu, Carlos Sílvio, jamais me calarei, jamais aceitarei, jamais desculparei.

Essa foi a segunda vez que presenciei/sofri isso aqui em São Paulo. Minha reação sempre será assim.

Eu odeio racistas e preconceituosos do fundo do meu coração.

De onde vem tal preconceito, a estas alturas? Os caminhos que explicam são muitos e um deles passa pela educação recebida, tanto em casa como na escola.

Babacas, não vem que eu não baixo a cabeça.

São babacas e ignorantes.

PAIAIÁ FUTEBOL CLUBE, MAIS QUE UM TIME!

 

 

 

One comment

  1. Falando do jogo dentro de campo. Foi uma das piores apresentações do conjunto, apesar de haver destaque individual. Fomos displicentes quase o jogo inteiro. Estivéssemos uma postura semelhante contra o time do Benfica teríamos levado um goleada. Vamos tentar encontrar soluções? Acho que poderíamos usa o grupo do watts para isso.

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