Curiosidades da Várzea

Um povoadozinho

Lugarejo bucólico, muitos arbustos e sem grandes luxos. A casa onde nasci e passei minha infância era espaçosa e sem essa luxuosidade toda. Uma casa amorosa; incluindo as crises naturais e os desentendimentos da vida.

Há um quintal, no qual o por do sol é maravilhoso, não tem churrasqueira mas tem um pé de acerola e algumas plantas cultivadas lá. É uma cidadezinha do interior baiano ou melhor um povoado nada extravagante com pessoas descentes que fazem o possível para sobreviver num país como este.

Atividades agrícolas são o principal sustento de quem não tem um emprego fixo; outras tem o bolsa-família que ajuda na sustentação da casa e que servem de lastro para aqueles que não fazem nada por não ter espaço neste escasso e muito escasso mercado de trabalho.

Esta casa e este povoadozinho ficam num país que se chama Brasil e desde cedo sempre me orgulhava dele. As festas juninas deste lugarejo eram muito animadas; fogueiras eram postas na frente de quase todas as casas formando um belo cenário e um aconchegante e alegre são joão; caipirinhas, batidas, fogos de artifícios, quadrilha, forró e muito contato social com as pessoas da localidade e com outras que vinham de fora para visitar familiares e o povoadozinho.

Vamos parar com os devaneios nostálgicos e ir direto ao assunto e comparar a nossa casa o nosso lugar com o futebol e seus astros dentro do povoadozinho bucólico que é São José do Paiaiá.

Desde cedo, sempre fui um afixionado por futebol e sendo assim estava nos babas no campo do 107 para então ver Juarez, Biel, Pedro, Gel, Raul, Joilson, Gilberto de Losinha, Zé dos Reis, Dinho, Marcelo de Luis, Renato, Rael, Antonio de Mané, Alcides, Si de Matinhos, Nelson, Guina, o recém chegado na época Júnior do Mercadinho e outros que jogavam um futebol fino que era um grande time muito falado nesta época. Espero não ter esquecido de alguém.

Essa remessa de jogadores foram se dissipando pela vida a fora e foram parar em sua maioria em São Paulo no sudeste do Brasil por força de uma prática real de todos nós que é de ir em busca de sua própria sustentação financeira e assim constituir família, multiplicar a vida em todos os sentidos dentro desse tecido social e psicodélico.

Foram então surgindo novos nomes como o de Rui, Uilton, Glêdson, Alcindo, Kio, Lio, Painho, Tarcísio, Itaécio, Silvio de Zeni, Silvio de Cabelinho, Guichard, Marcio, Zé Elson, Adilson, Lismar, Tião de Losinha.

Poderia ter saído um jogador profissional do Paiaiá, não todos, mas poderia sim, um só estava muito bom; mas a vida é assim mesmo; faltaram oportunidades que de fato fosse valer a pena ser um profissional neste mundo futebolístico que é tão competitivo e muito difícil de encarar, haja vista as histórias de grandes jogadores como Ronaldo Fenômeno que não tinha nem o dinheiro para pagar as passagens de ida e volta do centro de treinamento no São Cristóvão no Rio de Janeiro.

Mas falar é fácil, como sempre, e escrever também mas muita coisa só acontece a duras penas e com grandes frustrações. Tudo que desejamos é que nossa pátria possa dar oportunidades a quem de fato tem qualidade dentro do futebol.

E sabemos muito bem que existe por esse Brasil afora muitos jogadores que poderiam está nesse grupo seleto de jogadores profissionais. Quantos jogadores de várzea que conhecemos que poderiam esta desfrutando de jogar pela seleção brasileira ou nos grandes clubes do país e da Europa? E quem sabe se não sai um de São José do Paiaiá nos séculos seguintes. Assim espero!!!

Texto de Alcindo Prado

Paiaiá Futebol Clube, Mais que Um Time!

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