3 anos sem Biel

Hoje, 04 de novembro de 2017, completa-se 3 anos da morte de um dos maiores jogadores do Paiaiá Futebol Clube. Posto novamente esse texto, escrito há 3 anos, para que ele nunca seja esquecido e como homenagem.

Obrigado, Biel!

“Não sou viciado, bebo quando quero, nos fins de semana”. Esse é o relato da maioria das pessoas que começam a tomar bebidas alcóolicas . “Bebo socialmente”, acrescentam como se não fizesse mal.
Uma desculpa que muitas vezes leva à dependência química.
80% dos adolescentes já beberam alguma vez na vida, mostra levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo.
Hoje perdi um amigo, uma pessoa da família, um colega de futebol, um cara de um coração incrível, vítima dessa praga. O alcoolismo !12189692_852205991561236_5354753110086450245_n
Vi Biel pela última vez há praticamente 3 anos , quando estive na Bahia e ele veio comigo para se tratar . Foi uma viagem divertida. Ele contava histórias de futebol, piadas, ria o tempo todo. Uma viagem de mais de 2 mil km, foi um piscar de olho.
Biel é considerado por muitos que jogaram com ele ou que o viu jogar, como um dos melhores jogadores do Paiaiá de todos os tempos. Era um segundo volante daqueles pegador, não parava em campo. Corpo franzino , baixa estatura , não tinha um bom chute, mas era um marcador implacável. Jogava de maneira simples e elegante. Ele e Juarez formavam uma dupla de frente de zaga impenetrável.
Fora de campo era um ser humano adorável e querido por todos . Lembro que eu quando chegava na Bahia , em férias, lá vinha Biel , sorrindo, de uma simpatia única me perguntava:”trouxe alguma meião do São Paulo?” Sim , claro. Respondi . “ Quando for voltar deixe para mim”, dizia ele, rindo. Em janeiro de 2013, última vez que tive no Paiaiá, ele já não batia mais o “baba”, me pediu um par de meias.
Quantas vezes ficávamos no meio da rua, ou sentado na calçada, à noite , no Paiaiá,, com mais alguns amigos e, Biel contava tantas histórias dos jogos do Paiaiá que chegávamos a chorar de tanto rir. Falava de lances, de dribles de Alcindo ( ele tinha uma grande admiração pelo futebol de Alcindo), das viagens aos povoados vizinhos, dos amigos… Era um flamenguista que tinha admiração pelo São Paulo e pelo Grêmio de Porto Alegre, como ele gostava de falar.
Biel passou essa última noite sentindo fortes dores , faleceu por volta das 06:00 com uma idade aproximada entre 45 e 47 anos( não tenho certeza da idade). Biel, há tempos precisava de ajuda e confesso que quando recebi a notícia por voltas das 08:30 ,junto com uma lágrima que descia lentamente , me veio a pergunta: “será que eu não poderia ter feito alguma coisa?”.
Essa minha pergunta é inútil, agora.IMG-20151105-WA0007
As voltas que Biel dava no Paiaiá , o dia todo, todos os dias, era nada mais , nada menos do que um pedido de socorro, é como se ele dissesse: “ vocês não conseguem me ver”.
Onde estamos diante de tanto horror? Todos se afastam quando o mundo está errado, quando o que temos é um catálogo de erros?
Ficará comigo, nesse breve tempo que aqui esteve, todos os bons momentos , suas risadas ,babas e jogos juntos.
Por agora, lágrimas!
No início do ano eu comecei uma enquete para a escolha de um nome (ex-jogador do Paiaiá), que daria o nome ao troféu que irei dar ao artilheiro do time na temporada 2015. Peço desculpas as pessoas que participaram ,guardarei essa enquete para outra premiação/situação.
O troféu de artilheiro terá o nome de GIELSON PEREIRA DA SILVA (BIEL).
Biel, enquanto aqui entre nós esteve, com todos os defeitos , você foi um ser humano capaz de eternizar nas nossas memórias momentos de felicidades .
Valeu,Biel!
Carlos Sílvio

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