Geraldo Prado, um setentão com força de menino!!!

Bom dia dona moça! Vamicê conhece Geraldo Prado?

Quem??? Geraldo Prado?!!! Sei lá quem é esse fio de Jesus!!!

Mas dona moça, intonse vamicê num conhece seo Geraldo de Dona Maria de Dolí?!!! Aquele homem que fez uma biblioteca lá no Paiaiá?!!!

Ah…… agora o senhor me clareou o juízo!

Num é aquele moço simpático, Geraldo-fotoque tem mais de 120 mil livros numa casinha que ele chama Biblioteca do Paiaiá?!!!

Conhecer, conhecer mesmo, de carne e osso, num conheço não. Mas ouço falar dele todo santo dia, lá na Melancia onde moro. É que num sou do Paiaiá não, sabe?!!!.

Os meninos lá de casa e dos vizinhos; os da escola; os da catequese da igreja, comentam sempre sobre esta tal de Biblioteca do Paiaiá.

Vivem dizendo que lá tem mais livro que as escolas todas do município,livros juntando inté uma biblioteca quem tem na rua do Soure: tudo junto num chega nem perto dos livros de seo Geraldo.

Sabe mais o que dizem os meninos: que lá tem essas revistinhas de desenho; tem computador com uma tal de internet; o povo vai jogar lá um tal de xadez – meninos e véios – passa filme de cinema e tudo. Disseram até que istodia teve curso pra muiés aprenderem corte e custura e tudo mais. Mas num s’espante não: disseram que tem gente até aprendendo a desenhar e pintar panos de prato e o escambau!!!

Será qu’é verdade mermo o que esses meninos tão dizendo, meu sinhô?!!! Será que naquele povoado, que num mora nem mil pessoas, tem tudo isso mesmo?!!!

Olha dona moça, vou lhe dizer – como tivesse dizendo a Nosso Senhor Jesus Cristo que quero me salvar: tem tudo isso e mais algumas coisas.

Seo Geraldo – nascido no Paiaiá, foi aluno da mãe de uma famosa cantora chamada Ivete Sangalo, viajou de pau-de-arara pra ir trabalhar em São Paulo, penou na vida um bocado, estudou e tudo mais. Venceu, tá todo mundo vendo isso.

Hoje é um Doutor que ensina a um monte de gente na Universidade do Rio de Janeiro, onde mora, faz pesquisas, dá palestras, não cansa aquele homem – anda no mundo todo, fala com os gringos num bocado de língua estrangeira como se tivesse falando com a gente, conhece uma boa parte da Terra –  até parece que tem o juízo mole, viu!!!

Num é que o homem construiu um sobrado lá no Paiaiá Sobradosó pra botar lá dentro tanto livro, mas tanto livro mesmo, que até um doutor reitor da Universidade lá da Bahia foi lá ver de perto e fez até discurso pra’quele povo todo que foi pra inauguração.

Mais dos dias ele promove uns encontros de gente letrada lá no Paiaiá.

Dia desses levou pra lá até um imortal da Academia Brasileira de Letras, o escritor Antonio Torres, o primo dele Marcelo Torrres, também escritor e lá de Brasília; Professora Doutora Walnice Nogueira Galvão, da Universidade de São Paulo – publicou artigo “ As proezas de Alagoinha” sobre Geraldo – uns professores da Universidade do Rio de Janeiro, da Universidade de Feira de Santana e até da Universidade de Aracaju, além de muitos outros que agora não me vem à memória. O homem é quente mesmo. Não duvide!!!

Está marcado, para os dias 3, 4 e 5 de agosto vindouro, um encontro de gente letrada lá na Biblioteca do Paiaiá – III Encontro sobre Livro, Leitura e Inclusão Social no Semiárido Baiano – vai ter gente de todo lugar e de todo gosto cultural. EventoVamicê não quer ir lá não? Acho que seria uma boa oportunidade de conhecer aquilo tudo e até estar com seo Geraldo, quem sabe? Se vamicê for lhe apresento a seo Geraldo, lhe garanto.

Hoje, por sinal, seo Geraldo tá fazendo aniversário.

É o aniversário de Geraldo Prado ou Geraldo Moreira Prado, ou Geraldo de Dona Maria de Dolí, ou Alagoinha como lhe apelidaram lá pra bandas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Pra mim é o aniversário de Geraldo de Maria de Dolí, o conheço por este nome desde eu criança lá no nosso Paiaiá.

Hoje ele está completando 77 anos bem vividos – dois martelos como se dizia no jogo de vísporas lá no Bar de Bicudo, na rua do Soure e no Bar 7 Portas cá no Paiaiá.

Muito embora com esta cronologia avantajada, continua uma pessoa jovial, alegre, atenciosa, dedicada, às vezes um visionário. Mas não se entrega; é um verdadeiro trator na busca do melhor para as atuais e novas gerações no campo cultural.

Posso arriscar a dizer que, em dados momentos, se torna um Don Quixote cultural. Enfrenta moinhos de ventos de insensatez de pessoas comuns e de pessoas públicas; nada disso o faz esmorecer. Pelo contrário, segue em frente em busca de patrocínios e de garantir políticas públicas consentâneas e responsáveis para com a educação e a cultura.

Soube que há bem pouco tempo Geraldo estivera visitando a Escandinávia, onde pleiteara fundos de apoio para desenvolvimento de atividades culturais na Biblioteca do Paiaiá. Veja quanto esse homem se dedica àquela casa de cultura e não só a ela, também ao ensino e à cultura.

Escrevo este texto com a finalidade de parabenizar e homenagear esse meu conterrâneo; acima de tudo de reconhecer o trabalho e dedicação que Geraldo tem feito em prol da Cultura – sem fronteiras – me associar a ele nessa cruzada e desejar-lhe tudo de bom que a vida lhe reserva.

Parabéns Geraldo Prado!!! Feliz aniversário!!!

Tonho do Paiaiá, 28 de julho de 2017
Um conterrâneo e admirador

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