Voltando com o fôlego todo

Thiago Gomes Rios , amante do esporte , geógrafo, especialista em geoprocessamento, Bacharel e Licenciado em Geografia, especialista em ensino de Geografia, atualmente é professor  na rede  estadual de São Paulo e em duas escolas  particulares. Aos 26 anos descobriu um problema de saúde grave que chegou a pensar que nunca mais voltaria a praticar o futebol de várzea. Hoje , com 28 anos ele faz parte do Paiaiá Futebol Clube.Na entrevista a seguir , ele me contou tudo sobre seu problema e o prazer de voltar a jogar futebol.

Carlos Sílvio– Qual o problema de saúde que você teve ?

Thiago Gomes Rios -Entre  julho/agosto de 2015  descobri que estava com uma forte pneumonia sem sintomas clássicos. Tanto que os médicos não descobriram de imediato, diagnosticando como dores musculares.

CS -Qual a gravidade do problema?

T.G.R. -O quadro se agravou … A gravidade era alta, preocupante, visto que o pulmão é um órgão vital.

CS -Com quantos anos você estava?

T.G.R. – Estava com 26 anos.

CS – Como foi sua reação, da sua família e principalmente de sua mãe?

T.G.R. – Minha reação foi a pior possível. Primeiro  porque eles não encontravam o diagnóstico e isso me deixava bastante angustiado. Minha mãe tem sérios problemas de saúde e não me acompanhou neste momento tão  delicado de minha vida.  Meu pai ficou cuidando da minha mãe. Foi complicado…

CS – Você já tinha noção que seu problema era grave. Como foi  saber que precisaria passar por uma cirurgia?

T.G.R. –  Depois de tomar muitos  antibioticoterápicos o pus que se acumulou entre o pulmão e pleura (uma membrana dupla que envolve o pulmão) não regrediu. Uma semana depois os médicos decidiram fazer um punção ( Biópsia efetuada com uma agulha especial), no dia seguinte uma drenagem e três dias depois a cirurgia.

CS-Fale sobre o processo cirúrgico .

T.G.R. -A cirurgia consistiu em abrir duas costelas e por meio desse acesso limpar

o pulmão por fora que estava com mais de 2 litros de pus. Foram 5 horas

de processo cirúrgico. Um dos problemas foi que tenho problema de coagulação e isso

fez com que utilizasse o banco de sangue 3 vezes.  35 pessoas foram  doar sangue para mim, inclusive o zagueiro Zé Elson do Paiaiá Futebol Clube.20170416_093750

CS – Fale um pouco sobre sua recuperação.

T.G.R. – A recuperação foi na UTI.  Depois  no quarto com dois drenos no tórax por mais 16 dias. Posteriormente fui para casa onde fiquei mais 15 dias. Realmente foi um processo muito dolorido e traumatizante.

CS – Como está o funcionamento dos  seus pulmões hoje?

T.G.R. -Graças a Deus os meus dois pulmões estão funcionando.  Mas o direito devido a infecção esta meio defasado.  Funciona com 70%.

CS –  Depois de todo esse processo, não é fácil passar por uma cirurgia que envolve um órgão vital , sem falar no problema psicológico, você tem uma vida normal hoje?

T.G.R. – Levo uma vida normal. Mas ainda sinto cansaços quando muda o tempo e também sinto dores esporádicas.  Mas nada que impeça de ter uma vida normal.

CS – Você sempre praticou futebol ou algum outro esporte?

T.G.R – Sempre joguei futebol. Desde pequeno na rua de casa, lá no Jabaquara ( zona sul de São Paulo) e, depois quando mudei para Taboão da Serra. Joguei em escolinhas de futebol, uma delas a escola do André e Pavão ex jogadores do São Paulo F.C.. Nesta foi onde fiquei mais tempo e foi onde voltei as minhas raízes. Quando era pequeno pegava no gol e gritava ‘Zetti’ ou ‘Velloso’. Na verdade comecei jogando como zagueiro, mas devido a minha altura o treinador pediu para eu ir para o gol no campeonato que iríamos disputar. E isso deu certo fazendo com que eu jogasse no gol por muito tempo. Participei de várias peneiras como no São Paulo, na Portuguesa e a antiga peneira do Compre Bem Barateiro ( antiga rede de supermercado de São Paulo). Depois de velho joguei por alguns anos em um time da várzea aqui em Taboão da Serra ( cidade da região metropolitana de S.P.).

CS – Achou que nunca mais voltaria a jogar futebol?

T.G.R – Achei. No começo da recuperação achei que jamais voltaria a praticar qualquer esporte. Foi difícil.

CS – Como conheceu o Paiaiá FC?

T.G.R – Através do Ze Elson , zagueiro do Paiaiá Futebol Clube e colega de profissão , ele sempre falava do time e eu sempre pedia pra ele  me chamar pra jogar.

CS – Como se sente no meio da galera paiaiaense?

T.G.R. – Me sinto bem a vontade. Fui bem recebido e tem um clima agradável e familiar.

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